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# SOBRE MIM #

Eu não entrei em tecnologia porque alguém me mostrou um plano de carreira, nem porque vi algum vídeo dizendo que programação dava dinheiro. Entrei porque meus pais me deixaram usar o computador por mais de duas horas quando eu tinha seis anos, e aquilo acabou virando o lugar onde eu passava mais tempo do que em qualquer outro canto da casa. No começo não tinha nada de técnico, era só curiosidade mesmo, clicar em tudo, abrir coisas que eu não entendia, mexer em configurações aleatórias e depois tentar desfazer quando algo parava de funcionar. Eu não pensava em "aprender", só queria entender como aquilo funcionava por dentro. Com o tempo o computador deixou de ser só um brinquedo e virou uma extensão da minha cabeça, um lugar onde eu podia criar coisas, testar ideias e ver resultado na hora, mesmo que fosse tudo meio feio e quebrado.

O primeiro contato real com código veio quando resolvi criar bots para Discord. Não foi nada heroico nem bonito, foi na base do copiar e colar mesmo. Eu pegava códigos de vídeos no YouTube, jogava no editor, rodava e ficava feliz quando não dava erro. Na maioria das vezes dava. Quando dava erro eu não entendia quase nada do que estava acontecendo, mas em vez de desistir eu ia tentando mexer em linhas aleatórias, comparando com outros exemplos, até alguma coisa funcionar. Aos poucos comecei a perceber padrões, entender pra que servia cada parte e, sem nem notar, parei de só copiar e comecei a modificar, depois criar coisas do zero. Foi aí que eu entendi que aprender de verdade não vinha de seguir tutorial perfeito, mas de quebrar a cara várias vezes.

Com o tempo fui passando por várias fases. Já fui só estudante curioso, depois freelancer tentando pegar qualquer projeto que aparecesse, já fui aquele dev que achava que dava conta de tudo sozinho, e hoje sou dev, estudante e founder ao mesmo tempo, tocando um gateway de pagamentos chamado Quack Pay. Não foi uma linha reta bonita, foi cheia de erro, tentativa, empolgação demais em alguns momentos e desânimo em outros. Se tem uma coisa que eu acho que acertei foi começar a me comunicar mais, perguntar mais, ser curioso até quando parecia chato. Sempre que eu fiquei quieto demais achando que já sabia o suficiente, eu me ferrei. Sempre que eu perguntei, mesmo correndo o risco de parecer bobo, eu aprendi algo que me fez evoluir mais rápido.

Também já me enganei bastante. Já achei que todo mundo queria meu bem, que o mundo de tech era cheio de gente disposta a ajudar, que todo projeto era parceria de verdade. Quebrei a cara. Ao mesmo tempo, depois disso, já caí no erro oposto de achar que tudo era ruim, que ninguém prestava e que todo mundo queria passar alguém pra trás. Com o tempo fui entendendo que o mundo não é nem um conto de fadas bonito nem um inferno constante. Tem gente boa, tem gente ruim, tem gente confusa, e aprender a lidar com isso é tão importante quanto aprender a programar.

Hoje em dia, o que mais me irrita em tech não é bug, nem sistema caindo, nem prazo apertado. O que me irrita é gente arrogante que cresce um pouco, seja com um SaaS, uma software house ou um projeto qualquer, e esquece tudo que falava antes de ter sucesso. Gente que pregava humildade, ajuda, comunidade, e depois começa a humilhar os outros, esconder informação e agir como se tivesse nascido sabendo tudo. Pra mim isso é um dos maiores sinais de que alguém não amadureceu de verdade, só ganhou dinheiro ou visibilidade.

Eu também sustento algumas opiniões que muita gente não gosta de ouvir. Uma delas é que faculdade não transforma ninguém automaticamente em bom dev. Conheço gente formada que mal sabe resolver problema real e conheço gente sem diploma que manda muito bem. Outra é que a maioria das pessoas que se chamam de "engenheiro" hoje em dia na verdade é muito boa de marketing pessoal, mas nem tanto de engenharia de verdade. Não que faculdade seja inútil, ela pode ajudar muito, mas achar que só ela resolve tudo é ilusão.

No trabalho, eu gosto de problema de verdade. Gosto de resolver coisa de equipe, organizar processo, arrumar infra que tá bagunçada, pensar em arquitetura e também meter a mão no código. Gosto quando o problema é complexo o suficiente pra fazer pensar, mas não tão travado por política que ninguém consegue mudar nada. O que eu evito ao máximo é lidar com drama pessoal de gente que não sabe se comunicar, conflito bobo entre amigos e, sendo bem sincero, frontend não é muito minha praia. Faço quando precisa, mas não é onde eu me divirto.

Hoje eu prefiro muito mais trabalhar com produto, infra e código do que só ficar empurrando feature sem pensar. Gosto de entender o todo, não só a parte que me mandaram fazer.

Meu jeito de aprender também mudou bastante. Antes eu achava que era só consumir curso, vídeo, tutorial e pronto. Hoje eu aprendo muito mais lendo, praticando e escrevendo. Ler pra entender conceitos, praticar pra errar e corrigir, e escrever pra organizar as ideias na cabeça. Percebi que quando eu escrevo sobre algo, eu entendo muito melhor do que quando só assisto alguém explicando. Também aprendi que vibe coding tem seu valor pra prototipar rápido, mas confiar só nisso é receita pra código bagunçado.

Algumas coisas viraram princípios pra mim. Transparência, lealdade, comunicação, vontade de aprender, esforço e criatividade contam muito mais do que título bonito. Uma red flag imediata pra mim é quando a pessoa vive num conto de fadas, seja aquele otimista que acha que tudo é perfeito o tempo todo, seja o pessimista que acha que tudo é uma merda sem solução. Os dois normalmente estão longe da realidade.

Duas frases que sempre ficam na minha cabeça são "Keep Building" e "Pois sabendo que o Senhor estava comigo, criei coragem". Pra mim resumem bem continuar criando mesmo com medo, erro e incerteza.

Hoje eu tô num momento de amadurecimento forte, tanto mental quanto emocional. Profissionalmente, tô como founder e dev solo da Quack Pay, aprendendo na prática como é construir algo real do zero, com problema real, cliente real e responsabilidade de verdade. Não é glamouroso como parece no Twitter, mas ensina mais que qualquer tutorial.

Pro futuro, eu quero explorar mais o mundo no sentido de conhecer lugares, pessoas, fazer networking de verdade, criar amizades, viver experiências que vão muito além de código. Não é sobre prazer vazio, é sobre crescer como pessoa.

No fim das contas, minha mentalidade hoje é bem simples: pensar diferente, construir sempre, errar rápido, aprender rápido e não perder a humildade no caminho.

Se esse site é feio de propósito, minha jornada também foi meio bagunçada de propósito. Mas é justamente isso que fez eu chegar até aqui.